Bases Neurofuncionais das Deficiências Sensório-Motoras e Cognitivas  

Por:  Nino Severiano

  1. Introdução ao estudo do Sistema Nervoso

Os protozoários, primeiros seres vivos que habitaram nosso planeta apresentavam estrutura simples característica principal é a de serem formados por uma única célula, unicelulares com capacidade de adaptação ao meio, conservada em todos os animais ao longo da escala evolutiva.

E com a divisão celular, surgem os metazoários pluricelulares, que são constituídos por mais de uma célula e a evolução vai ser marcada pelo aumento do número de células e pela diferenciação celular; com os agrupamentos celulares passaram a desenvolver funções específicas e surgem os tecidos biológicos, entre eles o tecido nervoso, tendo como unidade funcional o neurônio, formado principalmente pelas células de condução os neurônios, apresenta também as células de nutrição e de sustentação: Neuroglias, células gliais ou células da glia; que atuam como substrato físico e nutricional para os neurônios.

Os vasos capilares por onde os nutrientes se difundem para os espaços extracelulares, até alcançarem os neurônios o importante tecido do sistema nervoso.

O encéfalo está situado o cérebro, o córtex cerebral, estrutura ímpar e de extrema importância para os processos psíquicos da espécie humana, como é o caso da nossa própria consciência.

O tecido nervoso, juntamente com a composição dos tecidos adjacentes, passa a constituir os órgãos (terminações nervosas, nervos, medula espinhal, encéfalo), e a união compõem o Sistema Nervoso.

A sequência do desenvolvimento, na evolução dos seres vivos é resumida em: Célula, Tecido, Órgão, Sistema, Organismo (exemplo: Corpo Humano).

O surgimento e a formação do sistema nervoso estão diretamente relacionados com a escala evolutiva, e todas as funções requeridas para a sobrevivência do organismo estavam difundidas na única célula que os compunha.

  1. A formação e desenvolvimento do Sistema Nervoso no ser humano

O desenvolvimento humano compreende três fases: o período intra-uterino ou pré-natal, o período péri-natal ou nascimento e o período extra-uterino ou  pós-natal.

A vida inicia-se com o encontro do espermatozoide com o óvulo = ovo ou zigoto esse processo é conhecido como fecundação ou fertilização, nove meses de gestação, ao nascer, já temos nove meses de desenvolvimento, formação e de atividades de vários órgãos, por exemplo, o sistema circulatório e o sistema nervoso.

 A fase de vida intrauterina gera diferentes estruturas, como a mórula, o trofoblasto e o embrioblasto, este formado por três folhetos embrionários: endoderma, mesoderma e ectoderma, este último dará origem ao sistema nervoso.

O sistema nervoso origina-se do folheto embrionário denominado de ectoderma, passa por quatro estágios de modificações, formando o tubo neural e a porção superior dessa estrutura, que se expande formando três dilatações (pros encéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo), enquanto que a porção inferior permanece estreitada e dará origem à medula espinhal.

O pros encéfalo é responsável pela formação do telencéfalo + diencéfalo = cérebro. A vesícula intermédia, mesencéfalo, não se divide, enquanto que a vesícula inferior, rombencéfalo, divide-se em metencéfalo + mielencéfalo, sendo que a primeira origina a ponte e o cerebelo, e a última forma o bulbo, – lembrando que bulbo + ponte + mesencéfalo = tronco encefálico.

O encéfalo compreende a parte superior do tubo neural, enquanto a medula espinhal representa a continuidade da extremidade inferior do tubo neural, sendo este o prolongamento direto do bulbo, que é a porção mais inferior do tronco encefálico, a estrutura mais inferior do encéfalo.

O Sistema Nervoso Central (SNC), constituído pelas seguintes estruturas: cérebro + cerebelo + tronco encefálico = Encéfalo e Encéfalo + Medula Espinhal = SNC.

O sistema nervoso periférico (SNP) = terminações nervosas, gânglios sensitivos e nervos espinhais e cranianos é constituído pelas estruturas adjacentes ao tubo neural.

A partir do final do período embrionário e inicio do período fetal, inicia-se uma fase de rápida proliferação dos neuroblastos, que são as células germinativas que formarão os neurônios e, consequentemente, o sistema nervoso.

  1. A estrutura e organização do Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso é responsável pela integração de todo ser vivo com o meio ambiente, a função que promove o equilíbrio entre o funcionamento dos diversos órgãos internos, denominado homestase ou homeostasia.

Os seres humanos, apresentam três níveis de funcionamento do SN durante a evolução das espécies quando o SN foi se organizando ao longo de milhões de anos e as estruturas novas, que surgindo ou se diferenciando, evoluímos do movimento reflexo (medula espinhal e tronco encefálico), passando pelo automático, até atingirmos o movimento voluntário, sendo este coordenado e comandado pelo córtex cerebral.

Essa estrutura consiste numa fina camada de substância cinzenta (3mm), formada pelos corpos celulares de neurônios de associação e de neurônios motores, localizada na superfície do cérebro, ou, mais precisamente, na divisão denominada, telencéfalo, a principal divisão do cérebro, o córtex cerebral, que por meio de uma vasta rede de neurônios de associação e por um infindável complexo sináptico (sinapses) atingem o ápice do desenvolvimento, configurando todas as ações psíquicas superiores, inerentes da nossa espécie.

  1. O neurônio: célula nervosa de condução

Os neurônios são formados por um corpo celular, soma ou pericário, com membrana celular núcleo e citoplasma, que é o neuroplasma, com estrutura que comportam as organelas celulares (retículo endoplasmático, ribossomos, complexo de Golgi, mitocôndrias etc.).

As células primitivas se modificaram, em prolongamentos, sendo que os menores, a partir do corpo celular, foram denominados dendritos, os quais se especializaram na recepção de impulsos, na transmissão das informações no sentido centrípeto, da periferia para o centro da célula.

Um prolongamento maior, podendo atingir aproximadamente um metro e meio, denominado axônio, também se originou do corpo celular, com a tarefa de transmitir o impulso no sentido centrífugo, para fora da célula.

Esse processo permite que os impulsos sejam transmitidos para outros neurônios, por meio de liberação de substâncias químicas em fendas ultramicroscópico chamado sinapses.

A atividade reflexa promovida pelos neurônios é a atividade do sistema nervoso que ocorre no menor período de tempo é processada em níveis baixos do sistema nervoso central, ou subcorticais.

Os neurônios são classificados como: pseudounipolares ou unipolares, bipolares e multipolares.

Os primeiros se caracterizam por apresentarem um único prolongamento curto no seu corpo celular, para, em seguida, dividir-se em dois, um prolongamento segue em direção à periferia órgãos e o outro, denominado de prolongamento central, penetra no sistema nervoso central.

Os corpos celulares desses neurônios, no caso dos nervos espinhais, estão situados nos gânglios espinhais ou sensitivos, neurônios responsáveis pelas transmissões dos impulsos nervosos dos receptores dos diversos órgãos para o sistema nervoso central, para a medula espinhal, são os únicos que apresentam o corpo celular fora do SNC.

Os neurônios bipolares apresentam dois polos ou prolongamentos que saem de direção oposta do corpo celular, por exemplo, os neurônios bipolares situados na retina, que estabelecem conexões entre as células fotorreceptoras, cones e bastonetes e as células ganglionares, cujos axônios formam o nervo óptico, responsável direto pela transmissão de impulsos nervosos, visuais para o SNC.

Os neurônios multipolar sendo a maioria os menores dendritos e um maior axônio é característico do SNC, responsáveis pela ligação do órgão com as estruturas periféricas, para a transmissão de impulsos nervosos.

A classificação funcional dos neurônios em aferentes ou sensitivos, neurônios de associação e neurônios eferentes ou motores.

Os neurônios são considerados as células mais evoluídas do nosso organismo e responsáveis diretas por todas as atividades do nosso corpo, principalmente pelas funções psíquicas, características da espécie humana.

  1. A condução do impulso nervoso (a sinapse)

 As células são carregadas eletricamente, e apresentam substâncias (eletrólitos), propriedades por meio das concentrações iônicas, como o sódio (Na+), potássio (K+), cloretos (Cl-), cálcio (Ca++).

No sistema nervoso, a condução do impulso nervoso é considerada como sendo de natureza eletroquímica, termo que reúne dois processos diferentes.

O impulso nervoso é transmitido ao longo dos axônios, comparada à condução elétrica dos cabos de eletricidade; e a passagem do impulso nervoso que ocorre entre dois neurônios é de natureza química, a sinapse.

Esse mecanismo atua como um capacitor, e a membrana celular funcionam como uma gradiente e mantenha a atração entre cargas positivas e negativas que se atraem e ainda permanecem próximas das superfícies interna e externa da membrana do corpo celular, dos dendritos e, ao longo do axônio.

  1. Relações topográficas da medula espinhal: estrutura do Sistema Nervoso Central

O SNC apresenta como característica principal a localização centralizada e profunda no corpo, o que é explicado pelo critério da proteção ocorrido ao longo da evolução das espécies.

A medula espinhal, é o componente mais inferior do SNC, localiza-se no canal vertebral, formada sobre posição de todas as vértebras.

A coluna vertebral é uma estrutura óssea que compõe o esqueleto axial, dividida sob o critério anatômico, classificado o esqueleto em axial e apendicular.

A coluna vértebra além de fornecer suporte para o corpo e protege os órgãos vitais, e a medula espinhal.

As meninges protege o tecido nervoso entre a face interna dos ossos cranianos e a superfície do encéfalo, a camada mais interna, a pia-máter, é mais fina e aderente à superfície do tecido nervoso.

A camada intermediária é a aracnoide, se com o desenho de uma teia de aranha, a externa a dura-máter é responsável pelo envolvimento e pela proteção do sistema nervoso central a qual, pela sua consistência e resistência, é chamada de paquimeninge; o conjunto pia-máter + aracnoide é denominado leptomeninge.

As meninges apresentam espaços, o periósteo das vértebras e a dura-máter espaço epidural, situam-se o plexo venoso vertebral interno e tecido adiposo; entre as membranas dura-máter e a aracnoide, espaço sudural, existe uma pequena quantidade de líquor; e entre a aracnoide e a pia-máter espaço subaracnoideo, localiza-se uma maior quantidade de líquor, denominado líquido cérebro-espinhal (LCE) ou cefalorraquidiano (LCR), apresenta composição eletrolítica semelhante  a  do  plasma  sanguíneo,  com colo ração clara e quantidade aproximada de 100 a 150 cm³, no adulto.

O espaço subaracnoideo envolve não apenas a medula espinhal, como também o encéfalo e todo o SNC está submerso no líquor.

O líquor é produzido nos ventrículos cerebrais cavidade existente em cada um dos hemisférios cerebrais e circula no sentido do diencéfalo, tronco encefálico, até atingir o espaço subaracnoideo no quarto ventrículo, próximo ao bulbo e cerebelo e circula externamente ao SNC entre as meninges.

O aumento da pressão sanguínea intracraniana pode promover alterações na pressão do líquor, razão pela qual este representa importante meio diagnóstico para alterações do SNC, como nos casos de hidrocefalia, tumores e hematomas intracranianos.

  1. Estrutura geral da medula espinhal

A Medula “Miolo” apresenta aproximadamente 45 cm de comprimento, sendo ligeiramente menor na mulher.

Seu limite superior localiza-se no nível do forame Mágno do osso occipital, onde é feita sua conexão com o bulbo divisão inferior do tronco encefálico que é componente do encéfalo, esse forame delimita o encéfalo contido no crânio da medula espinhal (alojada no canal vertebral). O limite inferior da medula situa-se no nível da 2ª vértebra lombar (L2), porém o espaço do canal vertebral é preenchido até o seu final no nível das vértebras sacrais, pelas raízes nervosas, que perfazem um conjunto de filamentos denominado de cauda equina.

As várias regiões da medula espinhal recebem denominações de acordo com suas proximidades com a coluna vertebral, denominadas: cervical, torácica ou dorsal, lombar, sacral e coccígea, no sentido súpero inferior, e é dividida em segmentos esse critério de segmentação obedece às conexões dos pares de nervos espinhais, cada segmento medular temos um par de nervos espinhal correspondente, constituindo a seguinte divisão: 8 segmentos medulares cervicais, 12 segmentos medulares torácicos, 5 segmentos medulares lombares, 5 segmentos medulares sacrais e 1 segmento medular coccígeo, totalizando 31 segmentos medulares e, consequentemente, 31 pares de nervos espinhais.

A medula espinhal tem formato cilíndrico, ligeiramente achatado no sentido anteroposterior, não apresenta calibre uniforme ao longo de toda sua extensão, e no nível da região cervical e da região lombar, ocorrem duas dilatações, a intumescência cervical e intumescência lombar.

A medula espinhal consiste em uma estrutura longa e contida no canal vertebral, representa o nível funcional mais simples do SNC, pode interferir nas informações que entram ou que sai do SNC ao longo de seu eixo, a medula espinhal origina 31 pares de nervos espinhais, que se relacionam com a inervação principalmente dos membros superiores e inferiores.

  1. Estrutura interna da medula espinhal

 A medula espinhal é constituída por tecido nervoso, com componentes celulares neurônios e neuroglias, vasos capilares e de líquidos presentes nos espaços extra e intracelular, e íons responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos e substâncias que nutrem as células.

 Apresenta as funções básicas, atuando como ponto de entrada, de saída e   de transmissão de impulsos nervosos entre os centros superiores e os  órgãos externos; apresenta a capacidade de intermediar e de regular as atividades reflexas, que não requerem participação de centros nervosos superiores, como é o caso do arco-reflexo patelar, normalmente testado pelos neurologistas em consultas de rotina.

A medula espinhal destaca a formação da substância branca localiza-se externamente, sendo composto predominantemente por axônios mielinizados, o que lhe configura um aspecto esbranquiçado, pelo fato de a mielina ser de cor clara, embora possam existir também neurônios amielinizados e da substância cinzenta, temos as células de sustentação ou neuroglias, as quais servem de alicerce ou de sustentação física para os neurônios, e a função de complementar à nutrição dessas células.

Situada internamente à substância branca, encontra-se a substância cinzenta, de cor escura e no formato da letra (H) constituída por células de sustentação que, tem a finalidade de alicerçar os neurônios, na substância cinzenta ocorre o predomínio dos corpos celulares dos neurônios.

 Deste modo, a distinção entre substância branca (axônios mielinizados) e substância cinzenta (corpos celulares), pois apresentam partes diferentes do axônio e, consequentemente, terão funções específicas.

 A medula espinhal é organizada sob a formação da substância branca e da substância cinzenta, com os axônios situados na primeira e os corpos celulares na segunda, o funcionamento da medula espinhal como uma área de transição que facilita a passagem de informações que passam pelos nervos espinhais e se dirigem aos centros nervosos superiores; e das informações que fazem o trajeto contrário, originando-se nesses centros, atravessam a medula espinhal no sentido descendente, passando em seguida para os nervos espinhais, até alcançarem os órgãos aos quais se destinam ao mesmo tempo em que exerce a função retransmissora, a medula espinhal também constitui um centro regulador da atividade reflexa, que é inata.

  1. Sistema Nervoso Periférico: estrutura dos nervos espinhais

 Os nervos podem ser definidos como cordões constituídos de feixes de axônios ou fibras nervosas e revestidos por membranas de tecido conjuntivo que unem anatômica e funcionalmente o sistema nervoso aos órgãos periféricos e vice-versa, e são divididos em duas categorias, os nervos espinhais estão ligados à medula espinhal, e os nervos cranianos fazem conexão com o SNC pelo tronco encefálico (bulbo, ponte e mesencéfalo), essa conexão dá origem à divisão segmentar do sistema nervoso com o tronco encefálico e a medula espinhal sendo considerados como sistema nervoso segmentar.

O cérebro e o cerebelo constituem o sistema nervoso suprassegmentar,  pelo fato de que na superfície de ambos não ocorrem conexões com nervos, as informações seguem pelo sistema nervoso pelos neurônios de associação, que formam a vias ascendentes da medula e do tronco encefálico.

Os nervos espinhais são feixes de fibras nervosas, variando muito em espessura, alguns são pequenos, com diâmetro inferior a 0,5 mm, e outros são mais calibrosos, com diâmetro de até 6 mm, são 12 pares de nervos cranianos,  que se relacionam funcionalmente com os órgãos da cabeça olhos, ouvidos, músculos da mastigação, pele e músculos da face e couro cabeludo, mucosa da cavidade nasal, mucosa da cavidade bucal e língua, raízes dos dentes, faringe, laringe; com os órgãos do tórax coração, pulmões; da cavidade abdominal, rins, estômago, intestinos, baço, fígado; e da cavidade pélvica,  bexiga, ureteres, órgãos genitais e reprodutores.

Os nervos cranianos são constituídos por feixes de axônios e apresenta grande variação funcional, existindo nervos puramente motores nervo oculomotor, troclear, abducente, nervo acessório, nervo hipoglosso, nervos essencialmente sensitivos nervo óptico, nervo olfatório, nervo vestíbulo coclear, e os nervos mistos com axônios sensitivos e motores nervo trigêmeos, nervo facial, nervo vago, nervo glossofaríngeo.

Os nervos são constituídos de axônios ou fibras nervosas, de neurônios sensitivos ou aferentes e de axônios de neurônios motores ou eferentes.

Os nervos, juntamente com as terminações nervosas sensitivas, representam as principais estruturas do sistema nervoso periférico.

  1. Vias aferentes ou sensitivas

 O SNC recebe informações do meio externo através dos exteroceptores e também do meio interno, dos proprioceptores e dos visce receptores.

As terminações nervosas sensitivas ou receptoras captam as informações, químicas,  térmicas, mecânicas e físicas,  e realizam o processo de transdução, que consiste na conversão dos diferentes estímulos em impulsos nervosos elétricos, que é a linguagem utilizada pelos neurônios para a transmissão das informações até o SNC e vice-versa, no nível das sinapses, a passagem da informação ocorre por meio de um processo químico, que a condução é eletroquímica, elétrica no axônio e química nas sinapses.

Os receptores especiais = órgãos especiais dos sentidos, visão, audição, olfação, gustação e equilíbrio, e os receptores gerais localizados na pele, nas articulações e nos músculos estriados ou voluntários; são subdivididos em receptores livres, tato, frio, calor e dor e receptores encapsulados, mais complexos e com ramificações maiores do terminal axonal, corpúsculos de Meissner, tato e pressão, corpúsculos de Ruffini tato e pressão, corpúsculos de VaterPaccini, sensibilidade vibratória, fusos neuromusculares propriocepção consciente e inconsciente e os órgãos tendinosos de Golgi propriocepção inconsciente.

Os corpos celulares dos neurônios sensitivos são encontrados nos gânglios sensitivos e os dos neurônios motores estão localizados na coluna anterior da substância cinzenta da medula espinhal.

Os axônios ou fibras nervosas desses dois tipos de neurônios formam feixes que são os nervos espinhais (31 pares).

  1. Vias que penetram no Sistema Nervoso Central por nervos espinhais

 VIA DA PRESSÃO E DO TATO PROTOPÁTICO

Receptores: Corpúsculos de Vater Paccini pressão e Corpúsculos de Meissner, sensibilidade tátil.

Neurônios I: Corpos celulares localizados nos gânglios sensitivos das raízes dorsais dos nervos espinhais, seus axônios constituem os nervos, ligando-se aos receptores e penetrando na substância cinzenta da medula espinhal.

Neurônios II: Os corpos celulares localizam-se na coluna posterior da substância cinzenta da medula espinhal. Seus axônios cruzam para o lado oposto na comissura branca, para ao nível do funículo anterior, tomam direção ascendente e constituem o tractoespino talâmico anterior, que vai terminar no tálamo.

Neurônios III: Corpos celulares localizados no núcleo ventral pósterolateral do tálamo. Seus axônios formam radiações talâmicas, que atingem o córtex cerebral pela cápsula interna e coroa radiada.

Área Cortical: Área Somestésica (sensitiva), localizada no Giro Pós-Central. Áreas 3, 2, 1 de Brodmann, recebe todos os impulsos nervosos originários de receptores de pressão e tato, localizados no tronco e membros.

VIA DA PROPRIOCEPÇÃO CONSCIENTE E DO TATO EPICRÍTICO: SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA E ESTEREOGNOSIA

Receptores: Proprioceptores localizados em tendões, ligamentos e cápsulas articulares, fusos neuromusculares, corpúsculos de Vater Paccini, corpúsculos de Meissner e em ramificações em torno dos folículos pilosos para o tato (discos de  Merkel).

Neurônios I: Corpos celulares localizados nos gânglios sensitivos, seus prolongamentos periféricos de axônios se ligam aos receptores, enquanto seus prolongamentos centrais penetram na medula espinhal e se dividem em um ramo descendente curto e num ramo ascendente longo. Os ramos ascendentes constituem o fascículo grácil e fascículo cuneiforme que terminam no bulbo.

Neurônios II: Corpos celulares localizados nos núcleos Grácil e Cuneiforme. Seus axônios dirigem-se ventralmente (fibras arqueadas internas) e cruzam o plano mediano, para em seguida tomarem trajeto ascendente (lemnisco medial) até o tálamo.

Neurônios III: Seus corpos celulares localizam-se no núcleo ventral pósterolateral do Tálamo. Seus axônios pro- duzem radiações talâmicas que, por intermédio da cápsula interna e da coroa radiada, chegam ao córtex cerebral.

Área Cortical: Área Somestésica (sensitiva) Giro Pós Central do Córtex Cerebral, o Córtex Cerebral recebe impulsos nervosos relacionados ao tato epicrítico, à propriocepção consciente ou cinestesia e à sensibilidade vibratória. O tato epicrítico e a propriocepção consciente permitem ao indivíduo a discriminação de dois pontos e o reconhecimento da forma e tamanho dos objetos colocados na mão, capacidade denominada estereognosia.

VIA DA PROPRIOCEPÇÃO INCONSCIENTE

Receptores: Fusos Neuromusculares, localizados nos ventres musculares, e Órgãos Neurotendinosos, situados nos tendões.

Neurônios I: Os corpos celulares estão localizados nos gânglios espinhais ou sensitivos. Seus prolongamentos periféricos de axônios se ligam aos receptores, enquanto seus prolongamentos centrais penetram na medula espinhal, por meio da raiz dorsal e atingem a substância cinzenta.

C.1 Corpos celulares localizados no Núcleo Torácico (ou Dorsal), na coluna posterior da substância cinzenta da medula espinhal. Seus axônios se dirigem para o funículo late- ral do mesmo lado, tomam o trajeto  ascendente  e formam o tracto espino-cerebelar posterior que termina no cerebelo, onde penetra pelo pedúnculo cerebelar inferior.

C.1 Corpos celulares situados na base da coluna posterior e na substância cinzenta intermédia-central. Seus axônios, em sua maioria, cruzam para o funículo lateral do lado oposto, quando ganham o trajeto ascendente, formando o tracto espino cerebelar anterior para penetrar no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar superior. Admite-se que as fibras que se cruzam na medula espinhal cruzam novamente, antes de penetrar no cerebelo, pois tal via é homolateral.

  • Corpos celulares localizados no núcleo cuneiforme, acessório do bulbo. Seus axônios constituem as fibras arqueadas externas dorsais, que entram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar Esses neurônios recebem impulsos proprioceptivos inconscientes, originados no pescoço e membros superiores.

 As vias nervosas ou cadeias neuronais, das quais as vias aferentes fazem parte, representam um conjunto de neurônios responsável pela transmissão de informações entre o SNC e os órgãos periféricos em ambas as direções, tendo ainda como função integrar as diferentes áreas do SNC, por intermédio dos neurônios de associação. As vias aferentes ou sensitivas apresentam os receptores como principais estruturas, nas quais se realiza o processo fisiológico de transdução, responsável pela transformação de estímulos varia- dos em impulso nervoso que segue para o SNC.

  1. Vias eferentes ou motoras

As vias nervosas eferentes compreendem o trajeto das informações nervosas originadas no SNC até os órgãos efetuadores.

As aferentes ou sensitivas essas vias apresentam uma área central principal como origem da informação e um trajeto central, representado pelos neurônios de associação, cujos axônios formam feixes por diversas áreas do SNC, que recebem suas denominações de acordo com a origem e o destino que apresentam como o tracto cortico espinhal anterior e lateral.

As vias eferentes viscerais integram, juntamente com as vias aferentes viscerais, o sistema nervoso visceral, estando relacionadas com os músculos lisos (involuntários), músculo cardíaco (involuntário) e as glândulas.

Essas vias representam o Sistema Nervoso Autônomo e são funcionalmente responsáveis pela manutenção do equilíbrio interno do organismo, denominado homeostase.

As vias eferentes somáticas, e as vias aferentes, constituem o Sistema Nervoso Somático, o responsável pela integração dos seres vivos com o meio.

As vias eferentes somáticas, conjuntos de estruturas como vias piramidais e vias extrapiramidais, sendo que as primeiras formam a base neurofuncional do movimento voluntário, enquanto a segunda, além de participar do controle motor desses movimentos, também regula os movimentos automáticos.

As vias piramidais são diretamente responsáveis pelas execuções dos movimentos voluntários, ao mesmo tempo em que estes são regulados também pelas vias extrapiramidais, as quais estão ainda incumbidas do controle dos movimentos reflexos e automáticos, também denominados de automatismos primários (inatos) e automatismos secundários respectivamente.

  1. Organização do movimento voluntário

RELAÇÃO DAS VIAS EFERENTES SOMÁTICAS COM OS MÚSCULOS ESTRIADOS

De acordo com estudos recentes, cada pessoa desenvolve sua memória motora por meio dos programas motores que vão se armazenando ao longo da vida, desde a infância até a velhice para as aprendizagens, qualquer pessoa é capaz de aprender em qualquer etapa da vida.

AÇÃO MOTORA OU MOVIMENTO VOLUNTÁRIO

Estudo do sistema nervoso, como os de eletroneuro fisiologia, demonstra que, antes mesmo do inicio de um movimento, potenciais elétricos são registrados em neurônios de associação da área motora suplementar do córtex cerebral, com um tempo da sua realização, em três estágios consecutivos: fase de preparação, fase de elaboração do programa motor e fase de execução.

A fase de preparação inicia-se na face medial do lobo frontal, os neurônios de associação transmitem as informações do movimento a ser executado para a área motora primária giro pré-central e para área pré-motora localizada na face lateral do hemisfério cerebral, à frente da área motora primária, o movimento terá inicio, ao mesmo tempo em que se associa com o núcleo denteado do cerebelo e o corpo estriado, que pertence aos núcleos da base e situa-se no centro branco medular do cérebro.

A fase de execução ocorre na área motora primária, que recebe informações do corpo estriado pela alça cortiço estriado tálamo cortical.

Ao estabelecer sinapses com os corpos celulares dos neurônios motores na coluna anterior da substância cinzenta da medula espinhal, seus axônios irão compor a raiz motora dos nervos espinhais, trajeto pelo qual atingem os músculos estriados, para assim exercerem suas ações. Neurônios motores inferiores destinados à transmissão desses impulsos nervosos para os músculos estriados, os agentes principais dos movimentos voluntários.

Referências:

FERREIRA, Eliane Lúcia (org). ATIVIDADE FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, Bases Neurofuncionais das Deficiências Sensório-Motoras e Cognitivas. Volume 2

 

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