ANÁLISE DA RELAÇÃO AGONISTA/ANTAGONISTA DE QUADRÍCEPS/ISQUIOTIBIAIS EM ATLETAS DE FUTEBOL

ANÁLISE DA RELAÇÃO AGONISTA/ANTAGONISTA DE           QUADRÍCEPS/ISQUIOTIBIAIS EM ATLETAS DE FUTEBOL

NINO ANTÔNIO SEVERIANO 

                                                   RESUMO 

Este trabalho tem como objetivo fazer um estudo sobre a análise da relação agonista/ antagonista de quadríceps/isquiotibiais em atletas mirins de futebol e identificar as causas que possuem desequilíbrio de grupos musculares antagonistas nestes atletas. Antes porém, é preciso responder algumas questões tais como: Qual é a realidade do futebol mundial ? O que esta situação propicia aos esportistas? Analisamos modelos de 21 atletas, jogadores de futebol.Buscamos avaliar o equilíbrio de grupos musculares antagonistas (quadríceps/isquiotibiais), com o protocolo Isokinetic Bilateral, onde se exigiu dos atletas extensão e flexão do joelho em duas velocidades distintas 60º/s e 180º/s, o quadríceps e isquiotibiais atuaram concentricamente na execução.Na análise constatamos que na velocidade 60º/s, 12 atletas (57%) não apresentaram desequilíbrio entre antagonistas (Quadríceps/Isquiotibiais), sendo que nesta mesma velocidade 9 atletas (43%), houve desequilíbrio significativo +/- 15%. Os resultados mostraram que a diferença existente remete a maior precaução quanto à lesão suscetível de alguns atletas. No grupo de 21 atletas, 38% dos mesmos, apresentaram alguma forma de desequilíbrio, seja a 60º/s ou 180º/s, mas sendo bem orientados, conseguirá evitar lesões futuras. Como conclusão apresento que visando dar maior qualidade ao trabalho na preparação física dos atletas os dados obtidos servem como alerta para uma atenção e cuidado no treinamento à reabilitação dos futuros atletas.

PALAVRAS-CHAVE: Desequilíbrio muscular, Lesão muscular, Avaliação isocinética no Futebol.

 Introdução

O futebol é um esporte que encanta a todos que assistem ou ouvem nos rádios. O sonho da maioria dos meninos e algumas meninas é ser jogadora de futebol e os pais são os grandes incentivadores dessa profissão, investindo alto em seus pequenos atletas.

Existem cada vez mais escolas especializadas neste esporte. É sem dúvida uma paixão nacional que está inserida em todas as camadas sociais do Brasil e do mundo. A criança já entende através da comunicação televisiva que o futebol é um esporte que se ganha muito dinheiro, mas lamentavelmente não conhece também os riscos que pode sofrer nesta profissão tão cobiçada e rentável.

Muitos são os casos de atletas que sofreram bastante praticando arduamente o desporto e a mídia divulgou muitas situações vividas por eles, os quais foram prejudicados ao investirem no futebol, visando o aperfeiçoamento físico. Por diversas vezes este desporto deixou de ser um belo espetáculo, anunciando grandes tragédias, frustrações, acabando de vez com os sonhos de vários desportistas e com muitos prejuízos para o clube.  Sérgio et al(2012) afirma que: Esse esporte é responsável por 50 a 60% de todas as lesões esportivas, sendo responsável por um alto índice de afastamento dos atletas de jogos e treinamentos. Esse afastamento resulta em prejuízos econômicos tanto para os atletas como para os clubes (3-4). Vale ressaltar que entre as situações vividas por eles podemos citar o desequilíbrio de grupos musculares antagonistas (quadríceps/isquiotibiais) em atletas de futebol, sendo o causador de um grande número de lesões decorrentes de sua prática de sucessivos exercícios regulamentados.

Este trabalho tem como objetivo fazer um estudo sobre a análise da relação agonista/ antagonista de quadríceps/isquiotibiais em alguns atletas de futebol. Antes porém, é preciso responder algumas questões tais como: Qual é a realidade do futebol mundial ? O que esta situação propicia aos esportistas? A que se deve o elevado número de lesões que ocorrem nesta prática desportiva?

Analisamos modelos de 21 atletas mineiros de elite, jogadores de futebol, da equipe “Mirim” do Clube Atlético Mineiro, realizada na Escola de Fisioterapia da UFMG, em 12/04/2011 de modo espontâneo e facultativo. O presente trabalho foi desenvolvido a partir de uma pesquisa bibliográfica. A forma de estudo adotada foi de natureza explicativa com abordagem  qualitativa, tendo como instrumentos:  artigos científicos, bibliografia, internet, revistas, notícias e documentos.

É alarmante o número de atletas que são lesionados por desequilíbrio de grupos musculares antagonistas (quadríceps/isquiotibiais), de futebol. E o interesse de profissionais especializados neste assunto,  envolvidos no trabalho de base com relação à prevenção desta triste realidade cresce a cada dia. Lopes ( 2012) afirma que: “Atualmente, a maior parte das lesões não está relacionada a pancadas, mas sim a movimentos de rotação e explosão muscular”.      

Deste modo, o objetivo do trabalho é verificar e identificar as causas que possuem desequilíbrio de grupos musculares antagonistas (quadríceps/isquiotibiais), em atletas de futebol.  Abordar a prevenção de lesões musculares dos isquiotibiais com a utilização da avaliação isocinética.

A realidade do futebol mundial exige que os atletas estejam muito bem preparados fisicamente. Esta situação propicia um número maior de contatos corporais entre os atletas e, por conseqüência, um elevado número de lesões por traumatismos. Além disso, os exaustivos treinamentos e jogos ocasionam lesões por estresse. Tal contexto não se verifica, exclusivamente, no nível profissional. Da mesma maneira, nas categorias de base, os jovens futebolistas já são bastante exigidos e apresentam uma série de lesões. Lopes ( 2012) enfatiza que: Em uma análise dos prontuários médicos de oito times profissionais, ortopedistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constataram que as lesões por choque entre jogadores (as chamadas contusões) representaram apenas 24,1%, contra 39,2% de lesões musculares, 17,9% de torções e 13,4% de tendinites. Além disso, o estudo apontou que 72,2% das lesões ocorreram em membros inferiores, com predomínio na coxa (34,5%), no tornozelo (17,6%) e no joelho (11,8%). “O maior risco é o desequilíbrio muscular, principalmente do membro inferior. Aí começam as lesões de adutores ou de músculos posteriores da coxa” justifica (GREVE, 2003 pág.195). Em função disso a força muscular é influenciada pelo gênero e maturidade sendo uma aptidão física favorável ao bom desempenho no futebol.

A musculatura isquiotibial é freqüentemente lesada nos esportes que exigem alta velocidade de arrancada como nos corredores de curtas distâncias e jogadores de futebol. O principal mecanismo associado a lesões do futebol é indireto, ou seja, independente do contato físico entre os jogadores (1-2,4). Somada a hipertonicidade, freqüentemente encontrada na musculatura destes atletas, a diminuição da elasticidade e a necessidade de se opor as grandes forças simultâneas da flexão do quadril e da extensão do joelho, o isquiotibial é altamente exigido na contração excêntrica, que é exatamente o mecanismo da lesão deste grupo muscular.  Lopes (2012) sustenta que:

“A cada 6 segundos o jogador de futebol faz um movimento inesperado. Articulações e músculos foram feitos para mexer, mas o ser humano ultrapassa os limites de movimentação do seu corpo e aí ocorrem as lesões”, diz o ortopedista Moisés Cohen, que coordenou o levantamento da Unifesp e já operou craques como Raí e Vampeta.

Felizmente a partir dessa reflexão, pode-se dizer que temos a avaliação isocinética que tende a minimizar estes possíveis desequilíbrios na relação (quadríceps/isquiotibiais). E o perfil do jogador quanto a sua formação de base poderá minimizar processos futuros de lesões. As lesões associadas à prática do futebol podem acometer as mais diversas articulações do corpo(2,4,8). Segundo Silva, et al(2002, pág.35) (9):” 68-88% dessas lesões acometem as articulações do joelho e tornozelo”. Com base em GREVE ( 2003, pág.15 ) o principal mecanismo associado a lesões do futebol é indireto, ou seja, independente do contato físico entre os jogadores(1-2,4). Os fatores associados a esse mecanismo podem ser extrínsecos e/ou intrínsecos ao atleta(2,5). Os principais fatores extrínsecos são o local de treinamento, o equipamento utilizado e as condições ambientais(1-2). Os fatores intrínsecos incluem o desempenho muscular, que pode ser caracterizada pela capacidade dos músculos de produzir torque, trabalho, potência e resistência.

É importante ressaltar que realizamos a pesquisa com o uso do equipamento de mensuração da performance muscular Biodex System 3 Pro. Este equipamento usa o princípio isocinético (registro de torques musculares em velocidades constantes), conhecido como dinamômetro isocinético, permite a análise do torque, tempo de reação, potência, trabalho e resistência de vários grupos musculares.

Estas análises dessas perspectivas podem ser feitas de forma isocinética, com velocidade variável, isotônica ou isométrica. Devido a sua versatilidade e comprovada validade no meio científico, os dinamômetros isocinéticos podem ser empregados em uma variedade de pesquisas nas quais sejam necessárias medidas da performance muscular. A pesquisa foi realizada na Escola de Fisioterapia da UFMG, fazendo uso Biodex System 3 Pro, na data 12/04/2011. Estudamos os modelos de 21 atletas “mirins” mineiros de elite, na categoria de base do Clube Atlético Mineiro, onde se buscou avaliar o equilíbrio de grupos musculares antagonistas (quadríceps/isquiotibiais). Na análise utilizamos o protocolo Isokinetic Bilateral, onde se exigiu dos atletas extensão e flexão do joelho em duas velocidades distintas 60º/s e 180º/s, sendo que o quadríceps e isquiotibiais atuaram sempre concentricamente na execução. A participação de todos os envolvidos na coleta de dados foi de caráter facultativo. Ao participarem dos testes, os atletas envolvidos eram orientados e explicamos quanto aos objetivos da pesquisa e a aplicação dos dados obtidos. Já em relação à velocidade 180º/s, constatamos que 14 atletas (67%), não apresentaram este desequilíbrio (quadríceps/isquiotibial), sendo que 7 atletas (33%), apresentaram desequilíbrio significativo +/- 10%.Da amostra analisada vale ressaltar que na velocidade 60°/s, 12 atletas (57%) não apresentam desequilíbrio entre antagonistas (quadríceps/isquiotibiais), sendo que nesta mesma velocidade 9 atletas (43%), apresentaram este desequilíbrio significativo +/-15%. Dando prosseguimento à análise dos jogadores de futebol, que são integrantes da equipe “Mirim” do Clube Atlético Mineiro, os mesmos se encontraram em atividade 3 vezes por semana e participaram da investigação de forma espontânea e facultativa.

TECNOLOGIA E PRATICIDADE EM PROL DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

O Isocinético Biodex System 3 Pro dispõe de tecnologia avançada, versátil e confiável,desenvolvida para testar e reabilitar o sistema músculo-esquelético humano. Os modos de operação para exercícios e teste incluem as funções isocinético, passivo, isométrico, isotônico e excêntrico reativo, oferecendo todos os recursos necessários para avaliações ortopédicas, pediátricas e esportivas. Em função disso utilizamos um equipamento de mensuração da performance muscular (Biodex System 3 Pro), este equipamento usa o princípio isocinético (registro de torques musculares em velocidades constantes), conhecido como dinamômetro isocinético, permite a análise do torque, tempo de reação, potência, trabalho e resistência de vários grupos musculares. Estas análises podem ser feitas de forma isocinética (com velocidade variável), isotônica ou isométrica. Devido a sua versatilidade e comprovada validade no meio científico, os dinamômetros isocinéticos podem ser empregados em uma variedade de pesquisas nas quais sejam necessárias medidas do desenvolvimento muscular. Pode-se inferir que essas variáveis são importantes para o diagnóstico, pois complementaram informações subjetivas e parciais de um exame clínico. Siqueira (2002, pág.17) salienta que:”O primeiro dinamômetro isocinético utilizado no Brasil foi implantado em 1990 no Hospital das Clínicas (SP), tendo iniciado suas atividades no ano seguinte”. Atualmente há variedades de dinamômetros aptos a avaliações, tratamentos, treinamentos e pesquisas em universidades, clínicas e clubes esportivos. Há um grande número de médicos e terapeutas lidando diretamente com exercícios isocinéticos. A tecnologia aliada à formação profissional tem garantido a boa performance do atleta na sua atividade. Em função disso o dinamômetro isocinético computadorizado Cybez atua em quatro áreas distintas: 

Prevenção ( na avaliação das lesões do sistema músculo-esquelético). Destaque para as avaliações e desequilíbrios musculares. Reabilitação ( fornece dados para condutas e altas terapêuticas). Esporte (favorece a melhoria da capacidade muscular para o desempenho adequado). Pesquisa ( os equipamentos fornecem dados estatísticos, além de estabelecer dados normativos para a população estudada).

Através destes equipamentos foi possível avaliar as variáveis da função muscular durante a realização de exercícios em velocidades angulares. São aqueles que simulam a performance humana durante as atividades esportivas em geral. O significado clínico da medida das variáveis da função muscular, significativamente e especificamente complementaram informações subjetivas e parciais para exame clínico ou medida somente da força muscular, realizada através de métodos convencionais e movimentos em velocidade não convencionais.

As lesões articulares e musculares encontram na dinamometria computadorizada, um moderno recurso para tratamento. Técnica usualmente administrada por fisioterapeutas. A dinamometria computadorizada permite o diagnóstico preciso de déficits de forma muscular de atletas, indivíduos sedentários e portadores de lesões neuromusculares e osteoarticulares. Para exemplificar, é o caso das avaliações e programas de repotencialização da função muscular utilizando parâmetros de peak torque (força máxima), potência, trabalho, resistência e fadiga muscular, o que fornece o conhecimento da condição física do indivíduo quanto à performance muscular do sistema apendicular. O relatório foi expresso em dados quantitativos (déficits em comparação bilateral e agonista/antagonista unilateral).

A partir dessa reflexão, pode-se dizer que os resultados nos mostram que a diferença existente agonista/antagonista remetem a maior precaução quanto à lesão suscetível de alguns atletas. No grupo de 21 atletas, 38% dos mesmos, apresentaram alguma forma de desequilíbrio, seja a 60º/s ou 180º/s, mas sendo bem orientados a partir de categorias inferiores ao profissional, conseguiremos evitar lesões futuras.

Considerações Finais

Todo menino ou menina tem o direito de sonhar. Não podemos permitir que os seus sonhos morram na praia, temos o dever de instruí-los sobre o melhor equipamento a utilizar, orientá-los sobre a profissão que almejam e alertá-los também sobre a prevenção de lesões musculares dos isquiotibiais com a utilização da avaliação isocinética, os riscos que podem correr se os exercícios físicos forem em excesso, sem cuidado, ou sem ajuda de um bom profissional competente; caso seja esta carreira que desejam seguir e possam terminá-la com muito sucesso.  Os pais  tem grande influência e importância na realização ou não, desse sonho tão almejado pelos futuros atletas mirins.

É possível e urgente mudar o local de treinamento, os equipamentos utilizados e as condições ambientais de nossos desportistas. O presente estudo veio de encontro a novas tendências cientificas, que visaram melhorar os treinos dos esportistas e dar maior qualidade ao trabalho na preparação física nos clubes. Muitas técnicas de avaliação de força muscular apresentaram limitações na mensuração, principalmente relacionada à avaliação dinâmica, o que fica mais bem posto através deste método empregado.

Os dados mencionados, normativos e estabelecidos podem ser utilizados como valores de referência na prevenção para treinamento e na reabilitação dos atletas iniciantes ou aqueles que se diagnosticarem tal problema antecipadamente, além de servirem de referência para futuros estudos que tenham como objetivo relacionar os parâmetros de performance muscular à incidência de lesões no futebol.

 Referências:

GREVE, Júlia Maria D’Andrea et al. Avaliação isocinética dos inversores e reversores de tornozelo: estudo comparativo entre atletas de futebol e sedentários normais. Revista Brasileira e Fisioterapia. São Carlos: v.7, n.3, 2003.

_________ Avaliação isocinética do joelho do atleta. Revista brasileira medicina do esporte. São Paulo: v.7, n.2, p.62 – 66, 2005.

LOPES, Artur Louback. Quais são as principais lesões de um jogador de futebol?Disponível:http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-sao-as-principais-lesoes-de-um-jogadorde-futebol.  acesso em 11/02/2012. SÉRGIO, Teixeira da Fonseca et al. Caracterização da performance muscular em atletas profissionais de futebol. Revista da sociedade de Medicina de esporte. Disponível: http://www.mendeley.com/research/caracterizao-da-performance-muscular-em-atletas-profissionais-futebol acesso em 12/02/12.

SILVA, Paulo  Ricardo Santos da Silva et al. Aspectos descritivos da avaliação funcional de jogadores de futebol. Revista Brasileira de Ortopedia. São Paulo: , v.37, n.6, p.205 – 210, 2002.

SIQUEIRA, Cassiano Medeiros et al isokinetic dynamometry of knes flexors and extensors: comparative study among non athletes; jumper athletes and runner athletes. Revista do Hospital das Clínicas. São Paulo: , v.57, n.1, p.19 – 24,2002.

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